Um carro que circulava a 200 km/h foi detido esta semana na Route 1, na área do entroncamento de Motza, perto de Jerusalém, num troço onde o limite de velocidade é de 90 km/h. O motorista, um residente de 24 anos de East Jerusalem, foi parado durante uma operação de fiscalização da polícia. Para além da velocidade extrema, o caso volta a levantar questões mais amplas sobre excesso de velocidade, assunção de riscos e a cultura de condução numa das principais vias de acesso a Jerusalém.
Excesso de velocidade na Route 1 – o que aconteceu perto do entroncamento de Motza?
Segundo a polícia, durante uma operação de controlo de velocidade realizada na Route 1, na área do entroncamento de Motza, perto de Jerusalém, foi identificado um veículo a circular a uma velocidade invulgar de 200 km/h. O motorista foi detido e interrogado por um oficial de trânsito sénior, a sua carta de condução foi suspensa por 30 dias e foi-lhe aplicada uma medida de prisão domiciliária por cinco dias. Em comunicado, a polícia afirmou que se tratou de um “comportamento imprudente e irresponsável que coloca vidas em risco e pode levar à perda de controlo, a um acidente fatal e a ferimentos graves – não apenas para os ocupantes do veículo, mas para todos os utilizadores da estrada”.
Porque é que os condutores conduzem a velocidades tão perigosas – o que diz a investigação?
Estudos na área da psicologia do comportamento de risco indicam que o excesso de velocidade raramente é resultado de um erro momentâneo. Para alguns condutores, sobretudo os mais jovens, a alta velocidade proporciona uma sensação de poder, controlo e adrenalina. A investigação criminológica descreve este fenómeno como a normalização do risco: quando as infrações de trânsito se tornam comuns, os limites legais esbatem-se e a lei passa a ser vista como uma orientação e não como uma linha rígida.
A velocidades extremas, a ilusão de controlo colide com as leis da física. O tempo de reação diminui, a distância de travagem aumenta drasticamente e uma pequena alteração nas condições da estrada pode resultar na perda de controlo. Investigadores de segurança rodoviária sublinham que é precisamente neste momento que o condutor se sente mais confiante, enquanto o perigo real atinge o seu ponto máximo.
A comparação com estradas de montanha em várias partes do mundo torna esta diferença ainda mais clara. Em percursos como o Passo do Stelvio, nos Alpes italianos, o Passo do Grimsel, na Suíça, as estradas das Montanhas Rochosas no Colorado ou os passos dos Pirenéus entre França e Espanha, os condutores abrandam instintivamente. Curvas acentuadas e uma topografia exigente transmitem sinais constantes de perigo. Em contraste, em vias largas e rápidas como a Route 1 em direção a Jerusalém, esse aviso natural enfraquece, fazendo com que a velocidade pareça aceitável – até se transformar numa ameaça real.


