A tensão aumentou entre centenas de militantes – muitos envolvidos em ataques mortais em Jerusalém – que foram libertados no acordo dos reféns e enviados de Israel para o Egito. Eles afirmam que foram abandonados e que trocaram a prisão israelense por uma espécie de gaiola dourada em hotéis do Cairo.
Quem são os atacantes de Jerusalém libertados e agora reclamando no Cairo?
Ao todo, 383 condenados à prisão perpétua libertados no acordo foram enviados ao Egito. Até agora, apenas 90 conseguiram reassentamento permanente em um terceiro país, como Turquia e Malásia. Os demais continuam presos em hotéis de luxo no Cairo, sem autorização das autoridades egípcias para sair.
Entre eles estão os autores de ataques significativos em Jerusalém, como Nasser e Mahmoud Abu Sarur, condenados pelo assassinato de Haim Nachmani em 1993, e Mahmoud Mousa Issa, fundador da célula do Hamas em Jerusalém e líder do grupo responsável pela morte do policial Nissim Toledano. Há também organizadores e cúmplices de atentados suicidas que mataram muitos israelenses em Jerusalém.
A principal queixa deles é financeira. Sob pressão dos Estados Unidos, a Autoridade Palestina deixou de pagar salários com base no tempo de condenação e passou a usar critérios socioeconômicos. Como muitos cumpriam longas penas por assassinato, a mudança reduziu significativamente sua renda. Eles lembram o presidente Mahmoud Abbas de sua declaração de que “o último centavo do povo palestino irá para os nossos prisioneiros”.
Eles também exigem residência permanente, seguro de saúde, reunificação familiar e liberdade de circulação no Egito. Alertam que, se suas demandas não forem atendidas, iniciarão protestos e uma campanha de mídia contra a liderança da autoridade.


