Bandeira de Israel na sede da UNRWA em Jerusalém – confronto?

Caminhões de retirada entram no complexo da UNRWA em Sheikh Jarrah, Jerusalém – o que está acontecendo?
Caminhões e empilhadeiras removem equipamentos da sede da UNRWA em Sheikh Jarrah, Jerusalém
Caminhões de retirada na sede da UNRWA em Sheikh Jarrah, Jerusalém, enquanto a bandeira da ONU é removida e a bandeira de Israel é hasteada

De acordo com fontes palestinas, funcionários da Prefeitura de Jerusalém, acompanhados por forças de segurança da polícia israelense, chegaram na manhã de segunda-feira à sede da UNRWA localizada no bairro Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, e entraram à força no complexo. O local, que há muitos meses estava praticamente sem funcionários, contava apenas com um pequeno número de seguranças. As forças israelenses chegaram com caminhões e empilhadeiras, cortaram todos os sistemas de comunicação e carregaram os veículos com equipamentos, incluindo móveis, material de informática e outros bens. Antes de deixar o local, os trabalhadores removeram a bandeira das Nações Unidas do topo do edifício e içaram a bandeira de Israel em seu lugar.

Qual foi a base legal citada por Israel para agir contra a UNRWA em Jerusalém?

A operação em Jerusalém foi realizada com base na lei israelense que encerra as atividades da UNRWA dentro do território soberano do Estado de Israel. A legislação foi aprovada pelo Knesset após o ataque mortal do Hamas em 7 de outubro de 2023, depois que veio à tona que diversos funcionários da UNRWA haviam participado do ataque.

Entre outras disposições, a lei estabelece que a UNRWA não pode operar qualquer representação, prestar qualquer serviço ou realizar qualquer atividade, direta ou indiretamente, dentro do território soberano do Estado de Israel. Após a exigência de Israel, a UNRWA interrompeu a atividade de seus funcionários na sede de Jerusalém, mas não retirou o conteúdo do edifício, apesar de repetidas solicitações.

Como o Comissário-Geral da UNRWA reagiu?

O Comissário-Geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, expressou indignação com a medida israelense. Em declaração publicada na rede social X, afirmou que a ação representa uma desconsideração flagrante da obrigação de Israel, como Estado membro das Nações Unidas, de proteger e respeitar a santidade das instalações da ONU.

Ele acrescentou que, após meses de assédio, incluindo ataques incendiários em 2024, manifestações de ódio e intimidações, alimentadas por uma campanha contínua de desinformação, além de leis contra a UNRWA aprovadas pelo Knesset israelense em violação aos compromissos internacionais do país, os funcionários da UNRWA foram forçados a evacuar o complexo no início deste ano.

Lazzarini também enfatizou que, independentemente de quaisquer medidas locais adotadas, o complexo mantém seu status de instalação das Nações Unidas e está protegido contra qualquer forma de interferência. Ele lembrou que Israel é parte da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, que torna as instalações da ONU invioláveis e protege seus bens contra buscas, apreensões ou procedimentos legais.

Jerusalém está caminhando para um confronto inevitável entre Israel e a UNRWA após essa operação?