Após uma longa batalha judicial de cerca de dez anos, começou na manhã de domingo um novo ciclo de remoções de famílias palestinas que vivem desde o fim da Guerra da Independência em Batan al-Hawa, no bairro de Silwan, em Jerusalém Oriental. As terras foram compradas por judeus no final do século XIX e são conhecidas como “Fundação Benvenisti”.
Remoção de famílias em Silwan em Jerusalém Oriental
Pela manhã, após o fim dos procedimentos legais, membros da Ateret Cohanim, acompanhados pela Autoridade de Fiscalização Imobiliária e pela polícia, chegaram à casa de Asmahan Shweiki (“Umm Zuhair”) e começaram a retirar seus pertences. Durante a remoção, familiares resistiram e as equipes usaram força para continuar a operação. Mohammad Shweiki foi detido. Asmahan sentiu fraqueza e foi levada ao hospital. Após tomar posse do imóvel, integrantes da Ateret Cohanim hastearam a bandeira de Israel no telhado.
Após a remoção da família Shweiki, os agentes também esvaziaram a casa da família Odeh, ao lado.
نقل الحاجة المقدسية أم زهري شويكي للمستشفى من محيط منزلها الذي أخلته قوات الاحتلال من محتوياته لصالح المستوطنين في حي بطن الهوى pic.twitter.com/mJAh8cluCy
— القسطل الإخباري (@AlQastalps) November 9, 2025
A história das terras de Silwan e da Fundação Benvenisti
Em 1899, terras em Batan al-Hawa, em Silwan, foram adquiridas para abrigar imigrantes judeus vindos do Iêmen. Parte foi destinada à construção da sinagoga “Ohel Shlomo” e o restante seria usado para moradias.
A sinagoga foi utilizada até ser abandonada, alguns anos antes da criação do Estado, devido aos distúrbios de 1929, à revolta árabe e às ordens do governo mandatário. Até a Guerra dos Seis Dias, o local permaneceu sob controle da Jordânia e mais de 100 famílias palestinas passaram a viver ali. Após a guerra, e depois que os herdeiros foram identificados, os direitos sobre a área foram transferidos pelo Administrador Geral à Ateret Cohanim, nomeada administradora dos bens da fundação.
A Ateret Cohanim iniciou pedidos judiciais para remover os residentes palestinos e apresentou dezenas de solicitações. As famílias contestaram. Ao longo dos anos, o processo se arrastou em diversas instâncias, e, ocasionalmente, ordens finais de remoção foram emitidas. Na fase atual, palestinos afirmam que mais de 30 famílias podem ser despejadas.


