Uma equipe conjunta de fiscais da Prefeitura de Jerusalém e policiais do Distrito de Jerusalém realizou uma operação na tarde de sexta-feira perto do Portão de Damasco, na Cidade Velha, removendo barracas de frutas e verduras sem licença. Durante a operação, surgiu um confronto com os vendedores, seus produtos foram apreendidos e um deles foi detido para interrogatório.
Barracas ilegais removidas no Portão de Damasco
Os fiscais e a polícia chegaram pouco depois das orações de sexta-feira na Mesquita de Al-Aqsa, enquanto milhares de fiéis deixavam a área em direção ao Portão de Damasco. Caixas apreendidas foram carregadas em pequenos veículos elétricos diante dos pedestres que observavam. Houve empurrões, confusão e um vendedor foi detido pela Polícia de Fronteira.
#شاهد | قوات الاحتلال تعتقل شاباً بعد الاعتداء عليه بالضرب خلال عمله في منطقة باب العامود بالقدس المحتلة pic.twitter.com/Vq8tvoWEsr
— وكالة شهاب للأنباء (@ShehabAgency) November 7, 2025
Acusações de “judaização de Jerusalém”
Ao longo de outubro e novembro de 2025, autoridades realizaram demolições e remoções de pontos de venda ilegais ao redor do Portão de Damasco. Operações anteriores ocorreram do outro lado da rua, mas na sexta-feira a ação foi feita ao lado do portão.
A operação recebeu ampla atenção na mídia palestina e nas redes sociais, descrita como parte de uma “política de ocupação para judaizar Jerusalém” e reduzir a presença palestina no espaço público. Fontes palestinas afirmam que as barracas fazem parte de uma tradição de mercado antigo e que a remoção prejudica o sustento de centenas de pequenos vendedores.
Disputa sobre o comércio de rua tradicional
O Portão de Damasco é uma entrada histórica para o bairro muçulmano da Cidade Velha de Jerusalém e tem sido um centro comercial movimentado por séculos. Mulheres e vendedores de cidades próximas montam barracas temporárias para vender frutas, verduras, roupas e itens diários, especialmente às sextas-feiras e durante o Ramadã. A Prefeitura de Jerusalém considera as barracas ilegais por falta de licença e realiza fiscalizações regulares para organizar o espaço público. Organizações palestinas chamam a ação de “opressão” e tentativa de apagar a herança cultural.
Nas últimas semanas, pequenos protestos ocorreram perto do portão, com slogans contra a “ocupação” e pedidos para proteger o mercado tradicional. Instituições como o Waqf alertaram que a continuidade das remoções pode provocar novas tensões, como em 2021. Não houve violência generalizada, mas vendedores prometeram continuar a batalha legal contra as demolições.


