A história de Mordechai Levy, uma das figuras mais marcantes da comunidade judaico-curda de Jerusalém, voltou ao centro das atenções com a inauguração das “Escadas Mordechai Levy” no bairro de Ramat Sharett. Nascido em Zakho, no Curdistão, em 1927 e falecido em 2015 aos 88 anos, Levy chegou a Israel em 1951 pela Operação Ezra e Nehemias. As dificuldades do campo de trânsito de Talpiot e seu trabalho posterior na construção de instituições centrais moldaram profundamente a Jerusalém moderna.
A cerimônia contou com a presença do prefeito de Jerusalém, familiares e moradores, destacando o vínculo histórico e emocional entre o patrimônio judaico-curdo e a identidade da cidade.
Patrimônio judaico-curdo em Jerusalém
Assim como muitos imigrantes recém-chegados, Mordechai Levy viveu inicialmente no campo de Talpiot, experiência que o levou a integrar a construção do Hospital Hadassah Ein Kerem – hoje uma das instituições mais importantes de Jerusalém. Tornou-se depois um empreiteiro independente e construiu edifícios comunitários, sinagogas e estruturas educacionais em Rehavia e Katamon, deixando sua marca na memória urbana e cultural da cidade.
Ramat Sharett – raízes de um bairro
Levy foi o primeiro morador de Ramat Sharett. Construiu sua própria casa quando a área ainda não possuía estradas pavimentadas, eletricidade ou água. Com o tempo, tornou-se uma figura respeitada e querida, reconhecida por sua dedicação cívica e seu vínculo profundo com Jerusalém.
Sua atuação incluiu participação no Partido Trabalhista, no Conselho Municipal de Jerusalém, na Histadrut e na Associação de Empreiteiros, onde representava a comunidade curda e era conhecido por sua capacidade de mediação.
Jerusalém e a preservação da memória
A inauguração das “Escadas Mordechai Levy” representa mais que a nomeação de um espaço público – simboliza o reconhecimento de uma vida dedicada à cidade. Durante a cerimônia, o prefeito destacou que a trajetória de Levy está entrelaçada à história de Jerusalém, desde o campo de Talpiot até a construção de instituições que moldaram sua identidade.
Familiares e moradores consideraram a homenagem uma ponte entre o legado judaico-curdo e a paisagem cultural em transformação de Jerusalém.


