Equipe da Direita de Jerusalém – Ilusões

O empate no dérbi mostrou que a equipe da direita de Jerusalém, Beitar Jerusalem, ainda está longe do seu auge histórico
Cerimónia de homenagem do Beitar Jerusalem aos campeões de 1987 antes do dérbi de Jerusalém no Estádio Teddy (Screenshot - Sport 1)
Lendas do Beitar Jerusalem durante a cerimónia pré-jogo antes do dérbi de Jerusalém no Estádio Teddy (Screenshot - Sport 1)

O dérbi de Jerusalém entre a equipe da direita de Jerusalém, Beitar Jerusalem, e a equipe moderada de Jerusalém, Hapoel Jerusalem, terminou em 1-1, numa partida marcada por emoção, ritmo elevado e um ambiente intenso no Estádio Teddy. Houve chances para os dois lados, mas o momento mais simbólico da noite aconteceu antes do apito inicial.

Antes do jogo, o Beitar Jerusalem realizou uma cerimónia em homenagem aos heróis do histórico título de 1987. As lendas do clube regressaram ao relvado sob fortes aplausos, numa cena que recordou a identidade e a força do Beitar Jerusalem no seu período de glória.

O que resta dos anos dourados do Beitar Jerusalem?

Era um tempo diferente. A era dourada do Beitar Jerusalem foi construída em torno de ícones como Uri Malmilian e Eli Ohana, com o falecido treinador Dror Kashtan a comandar a partir do banco, Yossi Mizrahi na baliza, Udi Ashash a organizar a defesa e a presença irrepetível de Momo Shirazi.
A cerimónia, no entanto, também evidenciou a distância entre a equipa dominante do passado e a versão atual, que teve dificuldades para se impor mesmo num dérbi em casa.

O contexto recente tornou essa diferença ainda mais clara. Poucos dias antes, o Hapoel Jerusalem havia perdido no Estádio Teddy para o Bnei Reineh, último colocado da liga. No dérbi, contudo, mostrou-se mais organizado e perigoso, criou oportunidades mais claras e saiu com a sensação de que a vitória escapou.

É justo reconhecer o mérito do proprietário Barak Abramov por devolver estabilidade ao clube após um período turbulento. Atualmente, o Beitar Jerusalem ocupa a segunda posição na tabela, à frente do Maccabi Tel Aviv. Em termos de resultados, trata-se de um avanço.

Mas estabilidade não é sinónimo de recuperação do esplendor. Se o Beitar Jerusalem pretende reduzir a distância entre nostalgia e realidade, cerimónias não serão suficientes. Os sucessos do passado foram construídos por mentes do futebol profundamente ligadas à identidade do clube, como verdadeiros decisores.

Por enquanto, o elemento que mais lembra os anos de glória é a torcida. O Estádio Teddy esteve cheio, ruidoso e fiel até ao último minuto. Um apoio assim merece títulos. Até que eles cheguem, as memórias continuam a lembrar o quão distante a equipe da direita de Jerusalém ainda está do seu antigo topo.