Na manhã de terça-feira desta semana, uma equipe da Polícia do Distrito de Jerusalém, acompanhada por trabalhadores de metal, chegou ao centro comunitário palestino “Burj al-Laqlaq” (Stork Tower), localizado na Cidade Velha, ao lado das muralhas e próximo ao Portão de Herodes. Após os policiais afixarem na entrada a ordem oficial de fechamento, assinada pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, os portões foram fechados. Com isso, todas as atividades do local foram suspensas, exceto o jardim de infância que continua funcionando nas instalações, pelo período de seis meses. Durante a operação, moradores palestinos se reuniram no local, entraram em confronto com a polícia e acabaram sendo retirados da área.
As Atividades no Centro “Stork Tower” Violam uma Lei de 1994?
O fechamento tem como base a alegação de violação da “Interim Agreement Implementation Law (1994)”, aprovada após os Acordos de Oslo. A lei proíbe a Autoridade Palestina de realizar qualquer atividade governamental, direta ou indiretamente, dentro do território do Estado de Israel, incluindo Jerusalém. Segundo informações das autoridades de segurança, esse tipo de atividade de fato ocorreu no local.
A organização que administra o centro foi fundada em 1991 por moradores do Bairro Muçulmano. Seu objetivo declarado era criar um centro comunitário e esportivo para atender a população local. No entanto, a iniciativa também tinha como principal propósito impedir a implementação de planos para a construção de um bairro judeu neste ponto estratégico – o bairro Ma’aleh HaZeitim.
O centro ocupa uma área de aproximadamente nove dunams e inclui campos esportivos, jardins de infância e áreas abertas. Para os moradores palestinos da região, é um dos poucos espaços verdes e públicos dentro da Cidade Velha densamente povoada. O local recebeu o nome de “Stork Tower” (Burj al-Laqlaq), uma antiga torre de vigilância mameluca situada no canto nordeste das muralhas da Cidade Velha.
À primeira vista, as atividades no centro parecem inofensivas. Há campos de futebol e basquete, treinamentos e diversas competições esportivas. Também funcionam no local um jardim de infância, uma biblioteca, um centro de desenvolvimento de habilidades profissionais (como cerâmica) e cursos de primeiros socorros. No entanto, segundo as autoridades de segurança, a realidade é diferente.
Por exemplo, o centro mantém um programa que treina estudantes para atuar como guias em locais históricos e turísticos, sob o nome “Ambassadors in Jerusalem”. A administração afirma que o objetivo é apresentar a “narrativa palestina” sobre os eventos de 1948, mas as autoridades israelenses veem isso como incitação ou promoção de uma ideologia que nega a soberania de Israel sobre a cidade. Além disso, grupos de empoderamento feminino, programas para jovens em situação de risco e atividades de lazer também são realizados no local com apoio e financiamento da Autoridade Palestina.


