A praça do Muro Ocidental em Jerusalém parece diferente nestes dias em relação ao habitual. Grandes partes foram temporariamente fechadas, cercas metálicas foram instaladas e estações funcionais foram transferidas para locais alternativos. O público está sendo convidado a se adaptar a uma nova realidade em que um dos locais mais sagrados do mundo agora combina oração viva com trabalhos de escavação profunda.
Por Que Estão Ocorrendo Escavações Sob a Praça do Muro Ocidental em Jerusalém?
Os trabalhos no Muro Ocidental em Jerusalém ocorrem uma vez a cada um ou dois anos e são administrados pela Autoridade de Antiguidades de Israel em coordenação com autoridades religiosas e a administração do local. O objetivo é claro: estudar as camadas sob a praça e documentar com precisão os vestígios de Jerusalém de diferentes períodos – a era do Segundo Templo, o período romano e o período bizantino. Por meio dessas escavações, os pesquisadores buscam entender como Jerusalém foi construída, destruída e reconstruída, uma cidade que tem sido por milhares de anos um coração pulsante de fé, política e cultura.
A busca não é por um único grande “tesouro”, mas por pequenos detalhes que se acumulam em um quadro mais amplo. Pisos antigos, canais de drenagem, muros de contenção, moedas, fragmentos de cerâmica e restos de construções testemunham a vida cotidiana que se desenrolou em Jerusalém, ao redor do Monte do Templo e do Muro Ocidental, por quase dois mil anos. Junto a isso, também estão sendo examinados vestígios de antigos edifícios de oração, banhos rituais e outros elementos adicionais, cada um acrescentando mais uma linha à história contínua de Jerusalém.
Como é a Oração no Muro Ocidental em Jerusalém Durante as Escavações?
Enquanto isso, o clima de inverno é cinzento e frio, mas os trabalhos no Muro não ofuscam o que acontece perto das pedras sagradas. Oração, cerimônias, rotina de santidade e história sendo revelada camada por camada. A vida na praça continua quase inalterada graças a um planejamento cuidadoso – as áreas de oração são preservadas e permanecem totalmente funcionais.
Por exemplo, na seção das mulheres, reina o mesmo silêncio familiar. Mulheres de todas as idades ficam de pé, sentam-se ou se apoiam nas pedras, cada uma se recolhendo à sua maneira com o Criador. Sem drama e sem barulho, apenas concentração silenciosa, um diálogo interior pessoal acompanhado de gratidão, súplicas e pedidos de salvação e ajuda.
Em contraste, na seção dos homens, a cena é completamente diferente. Celebrações de bar mitzvah, gritos de alegria. Rolos da Torá são erguidos no ar, há canto e dança. A santidade e os costumes não são suspensos por causa das escavações; eles simplesmente acontecem ao lado delas.
O Que as Escavações Revelam Sobre a História do Muro Ocidental em Jerusalém?
Ao mesmo tempo, a parte mais aberta da praça do Muro Ocidental em Jerusalém, onde são realizadas as cerimônias do Dia da Memória e eventos estatais, agora parece escancarada e vazia. As cercas, as ferramentas de trabalho e a terra exposta destacam a lacuna entre a pedra retirada das profundezas antigas e o presente. É como se uma cobertura tivesse sido removida de uma camada histórica profunda, despertando uma curiosidade renovada sobre o que aconteceu aqui no passado distante e ao longo da história do povo judeu.
As escavações ilustram que o Muro Ocidental não é um local congelado no tempo, mas um espaço vivo e pulsante. A arqueologia não prejudica seu propósito; ao contrário, ela o fortalece. Ela lembra que a santidade deste lugar foi construída gradualmente, camada sobre camada, geração após geração. Mesmo quando a praça encolhe e a terra se abre, a oração não recua. Entre a poeira das escavações e o frio de Jerusalém, fica claro que, mesmo quando o solo é escavado e os tratores avançam para o coração do passado, o Muro permanece inteiro, atento e sagrado.


