Nesta terça-feira, oito jovens judeus foram detidos em Jerusalém após entrarem pelo Portão dos Leões, via destinada exclusivamente a muçulmanos que seguem para a Mesquita de Al-Aqsa. Eles foram percebidos por guardas do Waqf, que os entregaram à Polícia do Distrito de Jerusalém.
Um dos jovens usava tefilin, enquanto outro carregava um cabrito. Segundo os guardas do Waqf, o grupo também tinha três pombos. Eles seguiam em direção ao Portão da Misericórdia quando foram interceptados após uma breve perseguição. Os guardas afirmaram que a intenção era realizar um sacrifício animal naquele local. Pouco depois, ativistas da direita relataram que o motorista que levou o grupo a Jerusalém também foi detido no cruzamento de Hemed.
This afternoon, eight Israeli settlers stormed Al-Aqsa Mosque carrying a goat and three pigeons to perform rituals before the mosque guards intercepted them and they were arrested by the Israeli police. pic.twitter.com/QD8qnQFuFb
— PALESTINE ONLINE 🇵🇸 (@OnlinePalEng) November 18, 2025
As regras de oração em Jerusalém estão mudando?
O episódio reacendeu o debate sobre a identidade de Jerusalém: o local deve permanecer exclusivo para adoração muçulmana, com judeus apenas como visitantes, como ficou estabelecido após a Guerra dos Seis Dias? Ou os judeus também devem ter o direito de realizar rituais religiosos dentro do complexo?
Para muitos, o ponto de inflexão foi no Tisha B’Av de 2024. Até então, a Polícia do Distrito de Jerusalém impedia rigidamente qualquer sinal de oração judaica. Até mesmo quem murmurava discretamente era imediatamente retirado e podia receber proibição de entrada por até seis meses.
Naquele dia, porém, cerca de 2.000 judeus subiram a Jerusalém junto com o Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir. Diante do ministro, centenas rezaram em público, se curvaram e até entoaram “Hatikva”, sem reação policial.
Desde então, orações coletivas e prostrações tornaram-se quase rotina. Ainda assim, a polícia continua proibindo a entrada de judeus com tallit ou tefilin. Todos os anos, jovens tentam levar cabritos antes da Páscoa judaica, ou lulav durante Sucot, mas são impedidos.
للمرة الثالثة خلال عام واحد.. المستوطنون يتمكنون من إدخال حيوان ماعز إلى المسجد الأقصى من باب الأسباط pic.twitter.com/lQFxZVCTiR
— القسطل الإخباري (@AlQastalps) November 18, 2025
Como os dois lados interpretam o episódio e há risco de tensão religiosa?
Ambos os lados enxergaram o episódio como mais um passo na disputa pela identidade de Jerusalém. O movimento “Retorno ao Monte” afirmou em publicação que “a parede do medo caiu! Alguns judeus entraram pelo Portão dos Leões usando tefilin e levando um cordeiro para sacrifício. Infelizmente, a polícia os deteve com violência.”
Por outro lado, outros ativistas da direita foram mais cautelosos, evitando comentar a ação em si, vista por muitos como uma provocação aberta, e focando nas críticas ao que chamam de uso excessivo de força pela polícia.
Do lado palestino, cresceram a indignação e a condenação. Muitos viram o episódio como mais uma tentativa de “judaizar” a Mesquita de Al-Aqsa. O caso é interpretado como mais uma rachadura na situação atual, algo que pode aumentar o risco de um conflito religioso de grande escala com Jerusalém como centro.


