Provocação em Jerusalém – entrada com animais de sacrifício

Jovens judeus entraram em Jerusalém pelo Portão dos Leões com pombos e um cabrito acirrando disputa de identidade
Jovens correndo perto do Domo da Rocha em Jerusalém
Jovens em Jerusalém com presença policial próxima ao Domo da Rocha

Nesta terça-feira, oito jovens judeus foram detidos em Jerusalém após entrarem pelo Portão dos Leões, via destinada exclusivamente a muçulmanos que seguem para a Mesquita de Al-Aqsa. Eles foram percebidos por guardas do Waqf, que os entregaram à Polícia do Distrito de Jerusalém.

Um dos jovens usava tefilin, enquanto outro carregava um cabrito. Segundo os guardas do Waqf, o grupo também tinha três pombos. Eles seguiam em direção ao Portão da Misericórdia quando foram interceptados após uma breve perseguição. Os guardas afirmaram que a intenção era realizar um sacrifício animal naquele local. Pouco depois, ativistas da direita relataram que o motorista que levou o grupo a Jerusalém também foi detido no cruzamento de Hemed.

As regras de oração em Jerusalém estão mudando?

O episódio reacendeu o debate sobre a identidade de Jerusalém: o local deve permanecer exclusivo para adoração muçulmana, com judeus apenas como visitantes, como ficou estabelecido após a Guerra dos Seis Dias? Ou os judeus também devem ter o direito de realizar rituais religiosos dentro do complexo?

Para muitos, o ponto de inflexão foi no Tisha B’Av de 2024. Até então, a Polícia do Distrito de Jerusalém impedia rigidamente qualquer sinal de oração judaica. Até mesmo quem murmurava discretamente era imediatamente retirado e podia receber proibição de entrada por até seis meses.

Naquele dia, porém, cerca de 2.000 judeus subiram a Jerusalém junto com o Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir. Diante do ministro, centenas rezaram em público, se curvaram e até entoaram “Hatikva”, sem reação policial.
Desde então, orações coletivas e prostrações tornaram-se quase rotina. Ainda assim, a polícia continua proibindo a entrada de judeus com tallit ou tefilin. Todos os anos, jovens tentam levar cabritos antes da Páscoa judaica, ou lulav durante Sucot, mas são impedidos.

Como os dois lados interpretam o episódio e há risco de tensão religiosa?

Ambos os lados enxergaram o episódio como mais um passo na disputa pela identidade de Jerusalém. O movimento “Retorno ao Monte” afirmou em publicação que “a parede do medo caiu! Alguns judeus entraram pelo Portão dos Leões usando tefilin e levando um cordeiro para sacrifício. Infelizmente, a polícia os deteve com violência.”
Por outro lado, outros ativistas da direita foram mais cautelosos, evitando comentar a ação em si, vista por muitos como uma provocação aberta, e focando nas críticas ao que chamam de uso excessivo de força pela polícia.

Do lado palestino, cresceram a indignação e a condenação. Muitos viram o episódio como mais uma tentativa de “judaizar” a Mesquita de Al-Aqsa. O caso é interpretado como mais uma rachadura na situação atual, algo que pode aumentar o risco de um conflito religioso de grande escala com Jerusalém como centro.