Rumo à sinagoga – a entrada oculta de Jerusalém

A entrada de Jerusalém revela um raro encontro entre corrida matinal e fiéis a caminho da sinagoga

Uma manhã chuvosa cobriu o coração de Jerusalém. O centro da cidade, que durante a semana vibra com barulho e movimento, estava silencioso. A torre próxima à ponte desapareceu na névoa densa, como uma cena de uma antiga narrativa.

Na entrada principal da cidade, entre a Estação Central de Ônibus e a estação ferroviária Navon, a torre alta parecia engolida pelas nuvens. Dois centros de transporte que normalmente recebem milhares de pessoas entre domingo e a chegada do sábado estavam agora em descanso. Viajantes, soldados e passageiros diários já tinham chegado aos seus destinos, deixando para trás uma calma molhada pela chuva.

Os bancos metálicos brilhavam sob as gotas, enquanto os bancos de madeira absorviam a água e apagavam vestígios de refrigerante, cigarros e óleo. As lixeiras estavam limpas, os telhados de telha vermelha renovados, e atrás das janelas fechadas surgia o aroma dos pratos de Shabat – cozidos de carne, feijão e kubbeh no molho de tomate.

O sol tentava aparecer, mas uma fileira de nuvens que se estendia da Alfandari à HaTorim e à David Yellin o impedia.

Por que a entrada de Jerusalém fica tão silenciosa nas primeiras horas da manhã?

O asfalto molhado refletia a luz vermelha do semáforo. Em cada parada do trem leve, o painel digital mostrava: “Sem viagens no momento”. As ruas HaNasi HaShishi, HaNasi Shazar e Sarei Israel pareciam uma aquarela cinzenta.

Mas nem toda a cidade desperta no mesmo ritmo. Alguns permaneciam sob as cobertas ouvindo a chuva bater na janela. Outros já estavam nas ruas – fiéis a caminho das orações, corredores que nunca abandonam sua corrida matinal, bombeiros e policiais iniciando o turno, trabalhadores migrantes apressados para atender idosos, e Larissa – já na rua Heichal HaMishpat alimentando pombos e gatos de rua.

Por que o pintarroxo-branco, símbolo do inverno, não apareceu hoje?

Entre pombos, pardais e corvos em busca do café da manhã, uma ausência chamava atenção – o pintarroxo-branco, mensageiro da chegada do inverno. Todos os anos aparece pontualmente, mas hoje não deu sinal. Talvez tenha vindo cedo demais, tarde demais ou encontrado um canto mais quente.

O mercado Machane Yehuda ainda estava encharcado após a chuva noturna. As lojas permaneciam fechadas. Das ruas e sinagogas ecoavam as preces da manhã misturadas ao som da chuva – um ritmo antigo que continua dando vida à cidade.