Sheikh Abdullah Mulla, cidadão jordaniano atualmente no exílio, passou quatro dias em Israel nesta semana, incluindo uma visita a Jerusalém. Durante a viagem, ele se reuniu com parlamentares no Knesset e visitou o Muro Ocidental (Western Wall), onde colocou um bilhete entre as pedras. A visita gerou grande controvérsia nas redes sociais e em diversos países árabes. Mulla respondeu duramente às críticas.
Visita ao Knesset e ao Muro Ocidental em Jerusalém
Mulla é conhecido como ativista social e se autodenomina “presidente da Coalizão Jordaniana pela Mudança”. É considerado um dos principais opositores do rei Abdullah II. Nesta semana, ele visitou o Knesset em Jerusalém, encontrou-se e tirou fotos com parlamentares e ativistas políticos. Ofereceu ainda um abaya tradicional jordaniano como presente, supostamente em nome da tribo Bani Hassan, uma das maiores da Jordânia.
O ponto alto da viagem foi sua chegada ao Muro Ocidental e o vídeo que compartilhou de lá. Durante a visita, ele pediu “misericórdia por todos os oprimidos do mundo árabe, especialmente os da Jordânia”. Em seu discurso no local, disse: “Louvado seja Deus, minha jornada foi histórica, política e espiritual. Deus fortaleceu minha determinação e me concedeu sucesso. Não ouviremos os cães que latem; eles latem, mas não mordem. Pelas gerações futuras, farei tudo o que puder. Há mais de um século só ouvimos falar de mortes, fome e pobreza.”
Reações na Jordânia e nas redes sociais
A visita foi amplamente noticiada no mundo árabe e nas redes sociais. Muitos classificaram o gesto como “provocação e insulto à posição nacional da Jordânia”.
Em Amã, líderes e figuras públicas chamaram Mulla de “traidor” e o acusaram de “apoiar a ocupação israelense”. Membros da tribo Bani Hassan, à qual ele pertence, emitiram uma declaração condenando suas ações e afirmando que ele não representa o grupo. Disseram ainda que o presente oferecido em nome da tribo foi feito de forma fraudulenta. Diversas figuras religiosas e políticas o chamaram de “mentiroso”.
Mulla responde – críticas ao regime hachemita
Mulla não ficou em silêncio. Em um post contundente em sua conta no X (Twitter), intitulado “Quatro dias que abalaram o regime hachemita e seu governo corrupto”, ele escreveu:
“Após uma missão política e religiosa de quatro dias ao Estado de Israel para moldar o novo Oriente Médio, retornamos a Washington, capital das decisões políticas mundiais. Fiquei surpreso com a histeria política dentro do círculo do rei Abdullah II e do regime hachemita. Foram emitidas várias declarações ridículas de condenação, todas vindas dos serviços de inteligência do rei e sem relação com o povo jordaniano. Minha missão política continua – construir uma nova Jordânia e reconhecer o Reino de Israel. A maioria silenciosa está comigo – sejam membros da tribo Bani Hassan, outras tribos jordanianas ou jordanianos de origem palestina.”


