O que aconteceu com os tomates? O vegetal mais comum nas casas de Jerusalém quase desapareceu do mercado Mahane Yehuda. As barracas que antes transbordavam de tomates vermelhos estão quase vazias, e os vendedores olham em silêncio para o corredor sem clientes.
O preço dos tomates em Jerusalém varia entre 9 e 14 shekels por quilo. Agora aparecem apenas em poucas barracas, porque os moradores evitam comprar em grandes quantidades. Compram dois ou três – estudantes, turistas ou famílias surpreendidas por visitas inesperadas.
Preço dos tomates em Jerusalém – mais barato nos supermercados
Surpreendentemente, nas grandes redes de supermercados os tomates estão mais baratos. O mercado foi criado no coração da cidade para permitir que os moradores locais comprassem produtos frescos a preços acessíveis. Hoje, preparar uma simples salada na Rua Nahon ou Rashi parece um luxo. Um único tomate cortado para a salada virou quase um artigo de luxo.
Por trás dos preços há uma história difícil: clima imprevisível, ondas de calor até novembro de 2025, guerra que levou trabalhadores dos campos para a frente de batalha, e chuvas repentinas fora de época que prejudicaram as plantações. Alguns agricultores no Vale do Jordão, em Hatzeva e no sul desistiram do cultivo. Outros migraram para estufas, onde os custos de eletricidade, combustível e transporte aumentaram. O resultado: o vegetal mais simples tornou-se raro.
A cozinha de Jerusalém sem o sabor do tomate
Em Jerusalém, o tomate não é apenas um vegetal – é o coração da cozinha caseira. Cada panela de molho de tomate conta uma história: a moussaka de Jerusalém que cozinha por horas, o shakshuka do sábado de manhã com pão challah absorvendo as últimas gotas de molho, os tomates recheados com arroz e carne como fazia a avó, e os assados cujo aroma preenche os prédios da Rua Eshkol. Até hoje, o cheiro do tomate cozinhando desperta memórias e aquece o coração. A clássica salada de Jerusalém – com cebola roxa, pepino e pimenta – não existe sem tomate.
No mercado Mahane Yehuda, ninguém compra mais por quilo. “Três bonitos, por favor”, diz uma jovem apressada. O preço não importa – o vermelho precisa estar na mesa. Ela tem razão: o sabor de um bom tomate não é só agricultura, é um jeito de viver em Jerusalém.
Licopeno – cozinhe o tomate para mais força
A esperança pode vir de pequenas estufas que resgatam variedades locais ou de projetos urbanos que cultivam tomates em telhados e varandas. O verdadeiro tomate não é apenas um ingrediente – é uma fonte natural de saúde, licopeno e vitaminas. Quanto mais é cozido, mais forte se torna. Sem ele, tudo parece pálido. O tomate precisa voltar em abundância ao mercado Mahane Yehuda de Jerusalém – fresco, acessível e presente em cada casa. O preço deve cair, os agricultores precisam de apoio, e os concorrentes da Turquia, Polônia, Holanda e Grécia devem ficar no Eurovision, não no mercado.


