Túmulos em Bab al-Rahma quebrados – ira islâmica

Grupos islâmicos condenam a profanação do cemitério perto do Monte do Templo em Jerusalém, dizendo que fere a identidade histórica da cidade
Cemitério muçulmano de Bab al-Rahma em Jerusalém, perto do Monte do Templo, onde túmulos foram vandalizados
Cemitério muçulmano de Bab al-Rahma em Jerusalém, perto do Monte do Templo, um local sensível no centro das tensões religiosas e políticas (Photo: Moataz1997 CC BY-SA 3.0)

De acordo com fontes palestinas, na segunda-feira, 10 de novembro de 2025, um grupo de judeus entrou no antigo cemitério muçulmano de Bab al-Rahma, localizado junto ao muro leste do Monte do Templo em Jerusalém. Segundo relatos, várias lápides foram destruídas e orações em grupo foram realizadas no local.

Instituições e organizações palestinas, incluindo o Hamas, reagiram com indignação e pediram a proteção dos locais sagrados do Islã. Em comunicado, o Hamas classificou o episódio como “um novo crime de judaização”, parte de uma série de ataques diários contra a cidade sagrada, com o objetivo de apagar sua herança islâmica e cristã e distorcer sua história e identidade. A organização pediu à comunidade internacional e à Liga Árabe que ajam imediatamente para proteger os monumentos históricos e religiosos de Jerusalém.

Além disso, o Conselho Islâmico Superior afirmou que o vandalismo das lápides em Jerusalém é “um ataque à dignidade dos mortos e dos vivos” e acrescentou que tais ações “violam as leis divinas e as normas internacionais”. O Conselho apelou às organizações internacionais para que ponham fim à “agressão da ocupação contra os locais sagrados islâmicos”.

A luta pela santidade de Jerusalém

O cemitério muçulmano de Bab al-Rahma é um dos locais mais antigos e sagrados do mundo islâmico em Jerusalém. Ele se estende ao longo do muro leste da Cidade Velha e do Monte do Templo, sendo ainda hoje um local ativo de sepultamento, embora partes estejam sob restrições impostas pelas autoridades israelenses.

O cemitério abriga os túmulos de centenas de figuras importantes da história islâmica, incluindo companheiros do profeta Maomé (Sahaba), líderes, estudiosos e guerreiros mortos nas conquistas de Jerusalém em 638 e 1187.

Os palestinos afirmam que judeus frequentemente provocam incidentes no local. Por sua proximidade com o Monte do Templo, são realizadas orações públicas, toques de shofar e hasteamento de bandeiras israelenses por aqueles que, por motivos religiosos, não sobem ao Monte. Há dois anos, a cabeça de um burro foi deixada na entrada do cemitério. Próximo dali está em construção o Parque Nacional “Muros de Jerusalém”, o que, segundo os palestinos, ignora o fato de ser uma área de Waqf islâmico.

O vandalismo das lápides representa mais um capítulo na disputa pela natureza do local. O cemitério continua a ser um ponto central de tensão, refletindo a luta contínua pela identidade de Jerusalém.