O Hadassah Medical Center emitiu ontem à noite uma mensagem incomum aos seus funcionários, alertando que a crise financeira em rápida piora pode impedir o pagamento dos salários de janeiro de 2026. Segundo a administração, a crise é resultado de anos de discriminação no financiamento dos hospitais públicos de Jerusalém em comparação com os hospitais pertencentes ao Estado.
Em uma carta enviada a todos os funcionários, o diretor geral do Hadassah, Prof. Yoram Weiss, escreveu que o Estado ainda não transferiu a quantia exigida por lei, superior a 700 milhões de shekels, que deveria ter sido entregue aos hospitais de Jerusalém.
Ele destacou que essa dívida acumulada agora enfraquece a capacidade do Hadassah de operar de forma estável e cumprir suas responsabilidades financeiras.
Weiss escreveu:
“Esta situação é inaceitável. Essa discriminação não é apenas uma questão de princípio, mas prejudica a infraestrutura de saúde da capital. O Estado deve oferecer condições de financiamento equivalentes às dadas aos seus próprios hospitais. Se isso tivesse sido feito ao longo dos anos, a crise atual não existiria. Trata-se de uma questão nacional que afeta todos os residentes de Jerusalém.”
O que compõe a dívida do Estado com o Hadassah?
De acordo com Weiss, a dívida inclui três componentes principais:
o financiamento dos acordos salariais, totalmente repassado aos hospitais estatais, mas não aos hospitais públicos de Jerusalém;
a obrigação de pagar salários integrais durante o período de guerra e os dias de “Am Kalavi”, quando as atividades hospitalares foram severamente reduzidas;
e longos atrasos nos reembolsos dos serviços já prestados pelos fundos de saúde.
Ele afirmou: “Essas lacunas criam uma forte pressão de caixa, e nenhum hospital do porte do Hadassah pode continuar operando nessas condições por muito tempo.”
O Hadassah caminha para um confronto com o governo?
A administração informou que os sindicatos de trabalhadores e o chefe da Histadrut na região de Jerusalém já alertaram os Ministérios da Fazenda e da Saúde de que, sem uma solução imediata, grandes protestos podem ocorrer.
O Shaare Zedek Medical Center, que enfrenta dificuldades semelhantes, também pode aderir ao movimento.
O Hadassah afirmou que segue em discussões intensas com autoridades governamentais e parlamentares para evitar qualquer atraso no pagamento dos salários. Weiss escreveu:
“Não descansaremos até que uma solução seja alcançada. Nosso compromisso com os funcionários é absoluto, e lutaremos pelo direito básico de receberem seu salário em dia.”
Apesar da disciplina financeira rigorosa e da decisão de não usar recursos de doadores para operações diárias, o Hadassah alerta que sem uma intervenção imediata do governo, a crise não poderá ser resolvida.


